O tombo foi feio. Foi terrível. Deveras, mas eu ainda estava assustada com tudo o que via e sentia. Talvez não eu, a menina. O tropeço custou-lhe seu lindo sorriso. Ainda tentando se levantar, algumas notas soaram do piano. Devagar... Bem devagarzinho, o piano foi soltando uma doce melodia. O som q ecoava era tão bonito, que acalmara a garota. O céu ainda estava escuro, o rosto da menina se encontrava encharcado, mas o piano, apesar de ser o motivo de seu tombo, a acalmara.
“Que linda melodia!” ela disse com dificuldade. Realmente, o som era impressionante. A menina tentava se levantar, mas estava impactada pelo acontecimento. Erguia-se um pouco e caía novamente. Quão fraca estava a doce garota. Tentei ajudá-la, mas não conseguia, não sabia como...
“Levante-se! Você consegue! Levante-se!” eu gritava incessantemente. A garota assustada parecia não ter me ouvido, mas continuava tentando. Ela conseguiu se erguer e ficar de joelhos. Ela se apoiava no piano enquanto limpava seu rosto, já sujo daquele chão imundo. Outra melodia começara a soar. Era a musica mais linda que a menina já ouvira... Afastando seus cabelos do rosto, ela erguia-se um pouco mais.
Ao levantar-se quase totalmente, ela arriscava olhar por cima daquele lindo piano. Ela queria encostar seus dedos delicados nas teclas do instrumento que fazia soar tão perfeita melodia.
Ao colocar seus olhos arregalados, com os cílios ainda molhados, um pouco acima da traseira do instrumento, ela assustou-se ao ver o que havia ali. Arregalou mais seus olhos, pois não acreditava no que estava vendo. Contemplou, observou, sem palavras ficou paralisada, imóvel. A melodia subia-lhe à cabeça e a deixava mais encantada.
“Sim! Um pianista!” ela repetia sem acreditar. Sem perder o encanto, o piano tornou-se a segunda melhor atração para a menina, a primeira era o pianista. Aliás, sem o pianista, não tem melodia no piano. Ela se levantara totalmente. A brisa suave brincava com os cabelos da garota, e com seu vestido branco, agora, já isento de qualquer mancha. O pianista se levantou e foi ao encontro da menina. Doce menina... Já crescera!
O pianista se aproximou da garota, e com seus dedos, os mesmos responsáveis pelas belas melodias, limpou o rosto molhado da garota. “Meu Deus! Não acredito!” eu dizia ao ver a cena sem acreditar no que estava acontecendo. Naquela rua, a rua da menina, entrara um pianista. Nunca, nenhum individuo entrara ou andara naquela rua... Apenas a menina, que parecia ser dona dela. A rua de sua vida... E agora, enfim, entrara um pianista... Um pianista! “Isso!” eu torcia por ela. Pela segunda vez naquela rua, a menina sorriu. Alguns raios de sol alcançaram os dois, e juntamente com a brisa, vieram as flores. O cheiro do ambiente mudara. Não tinha mais aquele cheiro úmido de lodo, mas estava perfumado... Um perfume sem igual.
O pianista vestia-se com calça social e camisa de um rosa claríssimo por debaixo do blazer. Como era elegante! Em um simples gesto, ele entregara uma rosa vermelha à garota. Era perfeito! Como a garota estava feliz! Eu sorria com ela, sorria por vê-la feliz... Eles corriam em volta do piano, sorriam sempre... Ele pagava em sua mão, e a rodava como se ela fosse uma princesa... Como estavam felizes! Eu também estava feliz em vê-los assim.... Em meio a tantas risadas, um barulho ecoou ao longe. Os dois se assustaram. A melodia parou. “O que houve?” a menina perguntou. “Eu não sei...” disse o pianista preocupado. O que estava acontecendo? Não haveria mais sorrisos? Não haveria mais brincadeiras? O pianista segurou bem forte a mão da menina, parecendo saber o que estava acontecendo. “Não! Não pode ser!” eu disse sem acreditar. Isso não podia estar acontecendo...
Mas o quêêêêêê????????
ResponderExcluirVocê fez uma novela, menina!
Estou louco pelo próximo capítulo!
Parabéns pela construção do texto e pela idéia de fazer suspense.
A-DO-REI!!
Beijo