domingo, 28 de agosto de 2011

A menina misteriosa - Parte II


O tombo foi feio. Foi terrível. Deveras, mas eu ainda estava assustada com tudo o que via e sentia. Talvez não eu, a menina. O tropeço custou-lhe seu lindo sorriso. Ainda tentando se levantar, algumas notas soaram do piano. Devagar... Bem devagarzinho, o piano foi soltando uma doce melodia. O som q ecoava era tão bonito, que acalmara a garota. O céu ainda estava escuro, o rosto da menina se encontrava encharcado, mas o piano, apesar de ser o motivo de seu tombo, a acalmara.

“Que linda melodia!” ela disse com dificuldade. Realmente, o som era impressionante. A menina tentava se levantar, mas estava impactada pelo acontecimento. Erguia-se um pouco e caía novamente. Quão fraca estava a doce garota. Tentei ajudá-la, mas não conseguia, não sabia como...

“Levante-se! Você consegue! Levante-se!” eu gritava incessantemente. A garota assustada parecia não ter me ouvido, mas continuava tentando. Ela conseguiu se erguer e ficar de joelhos. Ela se apoiava no piano enquanto limpava seu rosto, já sujo daquele chão imundo. Outra melodia começara a soar. Era a musica mais linda que a menina já ouvira... Afastando seus cabelos do rosto, ela erguia-se um pouco mais.

Ao levantar-se quase totalmente, ela arriscava olhar por cima daquele lindo piano. Ela queria encostar seus dedos delicados nas teclas do instrumento que fazia soar tão perfeita melodia.

Ao colocar seus olhos arregalados, com os cílios ainda molhados, um pouco acima da traseira do instrumento, ela assustou-se ao ver o que havia ali. Arregalou mais seus olhos, pois não acreditava no que estava vendo. Contemplou, observou, sem palavras ficou paralisada, imóvel. A melodia subia-lhe à cabeça e a deixava mais encantada.

“Sim! Um pianista!” ela repetia sem acreditar. Sem perder o encanto, o piano tornou-se a segunda melhor atração para a menina, a primeira era o pianista. Aliás, sem o pianista, não tem melodia no piano. Ela se levantara totalmente. A brisa suave brincava com os cabelos da garota, e com seu vestido branco, agora, já isento de qualquer mancha. O pianista se levantou e foi ao encontro da menina. Doce menina... Já crescera!

O pianista se aproximou da garota, e com seus dedos, os mesmos responsáveis pelas belas melodias, limpou o rosto molhado da garota. “Meu Deus! Não acredito!” eu dizia ao ver a cena sem acreditar no que estava acontecendo. Naquela rua, a rua da menina, entrara um pianista. Nunca, nenhum individuo entrara ou andara naquela rua... Apenas a menina, que parecia ser dona dela. A rua de sua vida... E agora, enfim, entrara um pianista... Um pianista! “Isso!” eu torcia por ela. Pela segunda vez naquela rua, a menina sorriu. Alguns raios de sol alcançaram os dois, e juntamente com a brisa, vieram as flores. O cheiro do ambiente mudara. Não tinha mais aquele cheiro úmido de lodo, mas estava perfumado... Um perfume sem igual.

O pianista vestia-se com calça social e camisa de um rosa claríssimo por debaixo do blazer. Como era elegante! Em um simples gesto, ele entregara uma rosa vermelha à garota. Era perfeito! Como a garota estava feliz! Eu sorria com ela, sorria por vê-la feliz... Eles corriam em volta do piano, sorriam sempre... Ele pagava em sua mão, e a rodava como se ela fosse uma princesa... Como estavam felizes! Eu também estava feliz em vê-los assim.... Em meio a tantas risadas, um barulho ecoou ao longe. Os dois se assustaram. A melodia parou. “O que houve?” a menina perguntou. “Eu não sei...” disse o pianista preocupado. O que estava acontecendo? Não haveria mais sorrisos? Não haveria mais brincadeiras? O pianista segurou bem forte a mão da menina, parecendo saber o que estava acontecendo. “Não! Não pode ser!” eu disse sem acreditar. Isso não podia estar acontecendo...      

 
      

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A menina misteriosa - Parte I


Vi o semblante de uma garota decepcionada, magoada, ferida... “O que houve?” perguntei a garota. Não houve resposta. “Conte-me o que houve!” supliquei. O silencio prevaleceu. Alguns milésimos de segundo após minha dolorosa pergunta, a menina pôs-se a chorar. Como eu gostaria de ajudá-la! Ela caminhava em uma rua estreita, triste, sem a perspectiva de um sorriso. Cabisbaixa, ela limpava suas lágrimas parecendo ter raiva de si mesma por chorar, talvez por não ter sido forte o bastante pra permanecer firme como sempre fora. Eu conhecia bem aquela garota. Com o celular na mão ela se desmanchava em lagrimas. Pensava no quanto fora firme, objetiva e perseverante em seus interesses, mas agora tudo parecia ter acabado.
                                                                            
“Ajude-me, Senhor” ela sussurrava bem baixinho. Era uma garota sonhadora, cheia de qualidades e defeitos, como todas as outras da sua idade, mas tinha algo diferente nela. Sim! Eu conhecia aquela garota! Conhecia todos os seus sonhos, mas eles estavam todos no chão, por algo mais forte ela mudou todos os seus planos, todos os seus sonhos... Por um único motivo. Uma garota que nunca se entregara a nenhuma paixão, sempre permanecera com os pés no chão... Claro! Eu conhecia aquela garota! Mas de onde? De onde ela surgira? Por que ela me era familiar? Em meio a lagrimas, ela deu um ultimo soluço, um ultimo suspiro e abriu um belo sorriso. Como seu rosto era resplandecente! Era garota de traços fortes... De uma beleza incomum, não aquela beleza que se vê em todos os lugares, não era uma beleza exuberante, mas era uma beleza diferente. Seu sorriso iluminou toda a rua, e seus sonhos flutuaram novamente a sua volta. Ela finalmente resolvera se levantar e começar uma nova vida. Ela resplandecia esperança e a alegria de poder viver.

A tal garota pura, não dizia nenhuma palavra se quer, só aquela impressão de que me era conhecida. Ela caminhou pela longa rua estreita, sorrindo, cantarolando e rodopiando. Seu vestido branco, todo rodadinho, lembrava-me de minha infância. Ela realmente me lembrava algo! Seus cabelos dourados tinham alguns cachos nas pontas, e era todo enfeitado com pequenas flores rosadas. Ela estava tão feliz, que nem me parecia mais aquela garotinha indefesa, machucada, triste...

 A rua era longa, bem longa, havia muitos obstáculos por ele. Era uma rua bem iluminada pelo sol radiante, mas em meio a tantas flores havia muitos obstáculos. Aquela menina, tão inocente e tão cheia de conhecimento ao mesmo tempo, não tropeçara em nenhum se quer dos obstáculos. Eram grandes, e às vezes imperceptíveis, mas ela não caira em nenhum daqueles obstáculos.

Mas algo me chamara à atenção, aquela menina, tão doce menina, caira. Seu primeiro tombo. A rua escureceu num só instante. As flores de seus cabelos caíram. Uma sensação de tristeza rondou aquela rua estreita. Uma lagrima já apontava no canto de seus olhos. Olhei bem, pra ver em qual obstáculo ela caíra. O que? Não pode ser! Fiquei assustada ao ver o obstáculo... Agora eu entendia... A menina... Ela viera de... Dentro de mim! Ela tropeçara num piano...

sábado, 13 de agosto de 2011

Cansei de sonhar...

   Ainda me recuperando de uma recente visita à tão odiada cidade de São Paulo, sonho com o dia de minha mudança pra esse lugar. O que me dizem de São Paulo? "São Paulo é uma cidade ótima... Pra passear de vez em nunca", ou "Você não sabe o que está dizendo, menina. Quando enfim morar aqui, vai sentir na pele do que estou falando...". Eu realmente estou farta de ser chamada de "menina"; pelo qual o verdadeiro sentido da mesma é "criança". Eu sei exatamente o que quero, como qualquer garota sem noção de 15 anos, mas eu sei que nao sei de nem um décimo do que penso que sei. Sei que preciso pedir sabedoria a Deus a cada dia da minha vida, para que Ele me oriente até mesmo para edificar meus planos, pois a minha tendencia na posição de Jovem, é apenas fazer besteiras e achar que "estou com tudo". Apesar de eu achar isso ridículo, eu nao penso que sei de tudo, tenho consciencia de que tenho mais a aprender do que ja aprendi em 15 anos de vida. Mesmo assim, tenho planos, e são desses planos que construirei meu futuro. É importante! Mas acho que minha mãe acha essa ideia de morar em São Paulo extremamente louca, por outras garotas da minha idade queimarem meu filme de adolscente "sabe tudo". Não concordam? Ou nao entenderam? Já repararam nessa nova geração de jovens? Já viram o quanto essas garotas de 15, 16 anos são desajuizadas a ponto de entregarem sua vida a qualquer paixaozinha tola? Ou nao repararam que é muito raro encontrar garotas dessa idade que fixam seus pensamentos em seus planos e sonhos e deixam o resto de lado? Só querem saber de aproveitar a vida, como meninas tolas e infantis, que nao sabem que esse aproveitamento as deixam mais tolas e incapacitadas a lutarem para alcançarem o que querem. Acho que me confundem com esse tipo de garota idiota. Talvez eu fosse, se nao tivesse um Deus todo poderoso ao meu lado, me dando as coordenadas da estrada para o sucesso...