terça-feira, 4 de setembro de 2012

Nas rua do passado, via-se uma bela moça... parte II


                A respiração já estava difícil. O que Bianca poderia fazer agora? Arriscar-se ao correr? Ficar quieta? Gritar? A pancada da difícil realidade afetou-a e a fez colocar os pés no chão. Antes que pudesse pensar em algo, já sentia uma mão tampando sua boca. Mão áspera, malcheirosa... Infinitos adjetivos poderiam ser colocados nesse trecho ao descrever apenas a mão do sujeito, mas vamos deixa-los para o restante da história.
                Bianca estremeceu ao sentir a presença de alguém tão próximo e tão ameaçador como aquele – suspeitava ela que fosse um homem – que estava a impedir sua fala. Ela podia sentir seu coração disparado, não por causa de Fernando, mas agora ela tinha um real motivo para sentir seus batimentos cardíacos acelerados.
- Shhh! Quietinha, garota. Vamos com calma.
                A menina desesperou-se. Calma? Pedir calma naquela hora era meio contraditório. Suspirou forte em sinal de susto. Quantas possibilidades existiam para Bianca, logo Bianca entre tantas outras garotas da cidade, passarem por uma situação daquela naquele momento. Logo ela... Nunca imaginaria passar por algo assim...
                Ela tentava falar, gritar de qualquer forma; em vão. O homem a pegou pelo braço, bem devagar. Embora fosse/parecesse profissional, temia que alguém o ouvisse. Talvez seu temor fizesse parte do “profissionalismo”.  Sem qualquer ruído, um carro estacionou ao lado dos dois. Bianca já estava completamente dominada pelo suposto bandido que por essa razão, não teve muito esforço para arrastá-la até o carro. Este não era preto, nem escuro. Todos desconfiariam de um carro preto atravessando uma rua deserta por volta de onze da noite em ouro preto, mas ninguém desconfiaria de um carro branco com “plaquinha de táxi” atravessando uma rua deserta àquela hora da noite. Dificultaria mais ainda a fuga de Bianca. Escapar dessa não seria fácil, se conseguisse.
                Dentro do carro ninguém dizia nada, nem os dois rapazes da frente, menos ainda o rapaz de trás, que estava com Bianca. A menina esperava gritos, palavrões, cheiro de cigarro e bebida... Esperava um certo vocabulário que uma garota como Bianca não gostaria de ouvir. Não ouviu nada disso. Ouvia o barulho do motor do carro, que era também silencioso. Nenhum movimento era feito no carro. Os homens não usavam máscaras nem roupas estranhas. Ao invés disso, usavam ternos. Bianca não entendia o que estava acontecendo. Seriam bandidos educados? Não, com certeza não. Não existem bandidos educados... Não tinha como saber.
- O que estão fazendo? – arriscou-se vendo que estavam aparentemente desarmados. 

                Não fizeram questão nem de olha-la. Ignoraram-na completamente.

- Não vão me responder? Quem são vocês?– atrevia-se com medo – Não acham que tenho o direito de saber?
                Prevaleceu o silêncio.
 
- Que tipo de bandidos são vocês? Não vão gritar, reclamar, falar palavrões ou nada parecido? 

                Superou-se em suas ultimas perguntas. O homem ao seu lado a olhou seriamente, deixando claro apenas com o olhar que Bianca deveria calar-se. Apesar do escuro da noite, Bianca podia enxergar alguns traços do rosto de seu companheiro de banco. Não tinha feição ameaçadora, ainda que pudesse ser.

                O motorista estava bem sério. Embora Bianca estivesse nervosa e com medo, ela ficara um pouco mais calma ao ver a reação daqueles homens, que nem sequer encostaram-lhe um dedo – exceto o que a colocou no carro.

- Para onde estamos indo? – fez sua ultima tentativa.

                Jurou calar-se, estava se arriscando demais. Olhava para todos os lados pensando no que fazer. Seus olhos penetravam a paisagem da cidade, no entanto, seus pensamentos estavam bem presos dentro das quatro portas. Ficou quieta para não contrariar ninguém e, na primeira oportunidade que surgisse, fugiria de alguma forma. Só não sabia como ainda.

                O carro parou, enfim. Nem Bianca acreditaria se não tivesse visto com seus próprios olhos. O carro parou em frente a uma grande mansão, que mais parecia um castelo que casa; não castelo mal assombrado como dizem, menos ainda de contos de fada (antes fosse). Era mais normal, todavia grandioso. O rapaz ao seu lado deu a volta e abriu a porta para que Bianca saísse, não eram necessárias palavras para que ela entendesse o recado. Juntos, Bianca e os três homens seguiram em direção à mansão.