A
respiração já estava difícil. O que Bianca poderia fazer agora? Arriscar-se ao
correr? Ficar quieta? Gritar? A pancada da difícil realidade afetou-a e a fez
colocar os pés no chão. Antes que pudesse pensar em algo, já sentia uma mão
tampando sua boca. Mão áspera, malcheirosa... Infinitos adjetivos poderiam ser
colocados nesse trecho ao descrever apenas a mão do sujeito, mas vamos
deixa-los para o restante da história.
Bianca
estremeceu ao sentir a presença de alguém tão próximo e tão ameaçador como
aquele – suspeitava ela que fosse um homem – que estava a impedir sua fala. Ela
podia sentir seu coração disparado, não por causa de Fernando, mas agora ela
tinha um real motivo para sentir seus batimentos cardíacos acelerados.
- Shhh! Quietinha, garota. Vamos com calma.
A
menina desesperou-se. Calma? Pedir calma naquela hora era meio contraditório.
Suspirou forte em sinal de susto. Quantas possibilidades existiam para Bianca,
logo Bianca entre tantas outras garotas da cidade, passarem por uma situação
daquela naquele momento. Logo ela... Nunca imaginaria passar por algo assim...
Ela
tentava falar, gritar de qualquer forma; em vão. O homem a pegou pelo braço,
bem devagar. Embora fosse/parecesse profissional, temia que alguém o ouvisse.
Talvez seu temor fizesse parte do “profissionalismo”. Sem qualquer ruído, um carro estacionou ao
lado dos dois. Bianca já estava completamente dominada pelo suposto bandido que
por essa razão, não teve muito esforço para arrastá-la até o carro. Este não
era preto, nem escuro. Todos desconfiariam de um carro preto atravessando uma
rua deserta por volta de onze da noite em ouro preto, mas ninguém desconfiaria
de um carro branco com “plaquinha de táxi” atravessando uma rua deserta àquela
hora da noite. Dificultaria mais ainda a fuga de Bianca. Escapar dessa não
seria fácil, se conseguisse.
Dentro
do carro ninguém dizia nada, nem os dois rapazes da frente, menos ainda o rapaz
de trás, que estava com Bianca. A menina esperava gritos, palavrões, cheiro de
cigarro e bebida... Esperava um certo vocabulário que uma garota como Bianca
não gostaria de ouvir. Não ouviu nada disso. Ouvia o barulho do motor do carro,
que era também silencioso. Nenhum movimento era feito no carro. Os homens não
usavam máscaras nem roupas estranhas. Ao invés disso, usavam ternos. Bianca não
entendia o que estava acontecendo. Seriam bandidos educados? Não, com certeza
não. Não existem bandidos educados... Não tinha como saber.
- O que estão fazendo? – arriscou-se vendo que estavam
aparentemente desarmados.
Não
fizeram questão nem de olha-la. Ignoraram-na completamente.
- Não vão me responder? Quem são vocês?– atrevia-se com medo
– Não acham que tenho o direito de saber?
Prevaleceu o silêncio.
- Que tipo de bandidos são vocês? Não vão gritar, reclamar,
falar palavrões ou nada parecido?
Superou-se
em suas ultimas perguntas. O homem ao seu lado a olhou seriamente, deixando
claro apenas com o olhar que Bianca deveria calar-se. Apesar do escuro da
noite, Bianca podia enxergar alguns traços do rosto de seu companheiro de
banco. Não tinha feição ameaçadora, ainda que pudesse ser.
O
motorista estava bem sério. Embora Bianca estivesse nervosa e com medo, ela
ficara um pouco mais calma ao ver a reação daqueles homens, que nem sequer
encostaram-lhe um dedo – exceto o que a colocou no carro.
- Para onde estamos indo? – fez sua ultima tentativa.
Jurou
calar-se, estava se arriscando demais. Olhava para todos os lados pensando no
que fazer. Seus olhos penetravam a paisagem da cidade, no entanto, seus
pensamentos estavam bem presos dentro das quatro portas. Ficou quieta para não
contrariar ninguém e, na primeira oportunidade que surgisse, fugiria de alguma
forma. Só não sabia como ainda.
O
carro parou, enfim. Nem Bianca acreditaria se não tivesse visto com seus
próprios olhos. O carro parou em frente a uma grande mansão, que mais parecia
um castelo que casa; não castelo mal assombrado como dizem, menos ainda de
contos de fada (antes fosse). Era mais normal, todavia grandioso. O rapaz ao
seu lado deu a volta e abriu a porta para que Bianca saísse, não eram
necessárias palavras para que ela entendesse o recado. Juntos, Bianca e os três
homens seguiram em direção à mansão.