terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Lugar


Eu vi um lugar diferente. Um lugar onde nenhuma outra pessoa já havia visto, a não ser os seres celestiais. Era um lugar inexplicável, todo iluminado por luzes vindo de algum lugar onde eu não era capaz de ver. O lugar era mais brilhante que todas as pedras preciosas existentes no mundo, era sem dúvidas um lugar especial. Anjos caminhavam de um lado para o outro, sorrindo, conversando, felizes sem preocupação alguma. O lugar que vi possuía grandes escadas que levavam a outras escadas, que levavam a mais escadas onde parecia dar a impressão de que o lugar era de espaço infinito.

       Eu estava andando sobre o lugar como se fosse alguém invisível, e me aproximava a cada vez mais da fonte de luz do ambiente. Anjos voavam por todo o lugar. Parei por um instante e observei melhor a minha volta. Aquele lugar era feito de um material nunca descoberto. Uma sede diferente de tudo o que os humanos pudessem ver ou explicar. Olhei para os lados e ninguém parecia me ver, então olhei para meus pés e eu estava descalço com um vestido fluorescente parecido com o dos anjos e senti que nas minhas costas surgiam asas iluminadas pela grande fonte de luz. Um grande fio de ouro circulava em volta da minha cabeça e eu era pálida como a neve. Meu brilho refletia como o dos anjos, mas nossa luz vinha da imensa fonte. Éramos como a lua, não tínhamos luz própria.

       Eu continuava a caminhar pelo grande lugar. Não havia nenhuma poeirinha no chão. Cheguei a outro grande salão, onde só havia chão e teto; ao invés de paredes, vi uma linda paisagem do lado de fora do lugar. Um lindo jardim! Onde eu estava? Que lugar era aquele? Era mais bonito que qualquer outro lugar do mundo, eu tinha a certeza de que ninguém, com exceção daqueles anjos, fora naquele lugar. Era mais bonito que Nova York com suas luzes e sons, melhor que Paris com sua bela torre Eiffel. Era bem melhor que a casa branca com suas luxúrias, melhor que o palácio na Inglaterra. Melhor que as sete maravilhas do mundo, e o mais impressionante é que consegui gostar daquele lugar mais do que São Paulo (aí já é outra história). Não me interessava lugar algum, eu não queria sair daquele lugar. Mas e meus pais? E meus amigos? E as pessoas que eu amava? Não poderiam desfrutar das maravilhas daquele lugar?

       O jardim me impressionou muito. Tinha um mar de vidro ao longe, onde se podia caminhar em cima. Era imenso! Animais estavam por toda parte do jardim, nenhum bravo, todos calmos. Os anjos acariciavam alguns leões.

       Parada, no meio daquele salão, ouvi um som, parecido com o soar de um sino. Soou sete vezes, e na sétima, os anjos, todos eles, entravam no terceiro salão. Era o salão de onde vinha a fonte de luz do lugar. Os anjos sorriam como sempre, mas parecia ter algo diferente no sorriso deles. Suas faces brilhavam de alegria, acharam a verdadeira felicidade! Será que era hora do lanche? Ou de alguma atividade especial? Fome não poderia ser, pois no jardim tinham frutas variadas em todas as infinitas árvores. Fui no embalo dos anjos, e juntamente com eles, caminhava em direção ao terceiro salão. Eu estava prestes a descobrir a coisa mais magnífica do mundo. A resposta para todas as perguntas e complicações do mundo...    

domingo, 18 de setembro de 2011

A menina misteriosa - Parte III (final)

Ele apertava a mão da garota, pois sabia exatamente o que estava acontecendo. “Conte-me o que houve!” a menina gritou. O pianista olhou para a meiga menina como um olhar triste, decepcionante. O que estaria acontecendo? A menina se machucaria outra vez?

“Não está acontecendo nada, minha menina. Nada...” ele disse abraçando-a forte, demonstrando claramente que algo estava acontecendo. “Por favor! Conte-me o que está acontecendo...” ela sussurrou. Ele nada respondeu.

O barulho ecoou outra vez, mais forte e mais intenso. “Não se preocupe menina, não vou te soltar...”. A garota, com medo, não se atrevia a soltá-lo. O ambiente ainda era o mesmo, porém, as nuvens se movimentavam rapidamente pelo céu e uma ventania se aproximava. “Não...” o pianista falou baixinho “outra vez não...”. Um vento forte começou naquela pequena rua. Um tornado já estava a caminho, desejava destruir aquele piano. O vento trazia algumas gotas de água, sinalizando a forte tempestade que viria. “Não me deixe te soltar!” o pianista disse forte. “Sei que não vai, eu confio em você...” Como a garota estava segura! Pela primeira vez, estava confiante, ela tinha a certeza de que ele não a soltaria.

O vento ficava cada vez mais forte, e agora trazia também algumas folhas e galhos encontrados pela rua. Algumas flores vieram juntamente com a ventania, galhos e folhas, mas flores desconhecidas pela menina, flores que não eram de sua rua. Ela ficava cada vez mais assustada, fazendo-a segurar mais forte no pianista. Ela colocou toda sua confiança nele e nele ela encontrava a certeza de que tudo passaria. Ele acariciou seus cabelos para acalmá-la e fechou os olhos não querendo acreditar no que estava acontecendo, ou melhor, no que aconteceria.  

Ao longe se avistava um tornado, que viria não muito devagar, encontrar-se com a menina e o pianista. “Não!” eu gritava. “Fujam! Rápido!” eu dizia bem alto, mas eles não podiam me ouvir. O piano desaparecera em meio à ventania, porém, os dois estavam imóveis, no mesmo lugar.

Aquele tornado que se aproximava, estava vindo de outra rua, alguma rua desconhecida pela menina; nem tanto pelo pianista. Já bem perto, o tornado parou. O impossível aconteceu. De dentro daquele tornado, saiu algo. A menina e o pianista tentaram ver o que era. Eu também me esforçava, mas não tinha idéia do que era aquilo. O pianista abaixou a cabeça. “Não me deixe te soltar!” ele disse mais uma vez. Ela nada disse, apenas viu algo de cor vermelha se aproximando.

Depois de muito tempo e esforço, consegui ver o que era, ou melhor, quem era. A menina assustou-se, mas o pianista parecia já esperar o acontecido. Uma garota se aproximava em meio ao tornado. Seu vestido era de um vermelho bem forte, combinando com as unhas enormes. Cabelos castanhos, não muito grandes, e sapatos bem altos. Ela andava desfilando e parecia ser uma “mulher” de poder. Era uma garota bonita, porém, parecia ser mais velha que a garota da rua. Ela parou a uns cinco metros de distancia da menina e do pianista. Ficou imóvel. A ventania parou e o silencio prevaleceu. A garota do tornado encarou os dois e logo depois sorriu, mostrando seus dentes perfeitos. Ela pegou algo dentro do bolso. Continuou a sorrir e colocando sua mão aberta em frente sua boca, soprou um pó cinzento. Uma fumaça rodeou a menina e o pianista, deixando-os quase sem ar. “Não me deixe soltá-la” o pianista repetiu. Quando a fumaça passou, permitindo a respiração da menina, a garota do tornado já estava junto a eles e com uma das mãos na cintura. Continuava a exibir seu belo sorriso que tinha como objetivo encantar o pianista. Ele não se encantou, pois conhecia bem aquela garota do tornado.

Ele a conhecera em outra rua e já era encantado por ela. Ele só não esperava que ela o encontrasse outra vez. Após passar por muitas ruas, a garota do tornado fora em busca do pianista e com um só gesto, o arrancou dos braços da menina. “Não me solte!” o pianista gritou para a menina. A menina não tinha forças para segurá-lo, tampouco ele tinha forças para ficar longe da garota do tornado. Sem forças, os dois foram dominados pela tal garota do tornado que realmente tinha poder sobre aquele pianista.

A menina, só novamente, via aquela garota e o pianista desaparecerem em meio ao tornado. Mais uma vez, ela estava só. As lágrimas tentavam cair mais uma vez pelo canto de seus olhos, porém, ela recusou-se a chorar. Seria forte. Não sabia o que aconteceria dali pra frente. Do pianista desaparecido, só as lembranças restaram. Então voltou a caminhar pela rua, mais uma vez... sozinha...  

domingo, 28 de agosto de 2011

A menina misteriosa - Parte II


O tombo foi feio. Foi terrível. Deveras, mas eu ainda estava assustada com tudo o que via e sentia. Talvez não eu, a menina. O tropeço custou-lhe seu lindo sorriso. Ainda tentando se levantar, algumas notas soaram do piano. Devagar... Bem devagarzinho, o piano foi soltando uma doce melodia. O som q ecoava era tão bonito, que acalmara a garota. O céu ainda estava escuro, o rosto da menina se encontrava encharcado, mas o piano, apesar de ser o motivo de seu tombo, a acalmara.

“Que linda melodia!” ela disse com dificuldade. Realmente, o som era impressionante. A menina tentava se levantar, mas estava impactada pelo acontecimento. Erguia-se um pouco e caía novamente. Quão fraca estava a doce garota. Tentei ajudá-la, mas não conseguia, não sabia como...

“Levante-se! Você consegue! Levante-se!” eu gritava incessantemente. A garota assustada parecia não ter me ouvido, mas continuava tentando. Ela conseguiu se erguer e ficar de joelhos. Ela se apoiava no piano enquanto limpava seu rosto, já sujo daquele chão imundo. Outra melodia começara a soar. Era a musica mais linda que a menina já ouvira... Afastando seus cabelos do rosto, ela erguia-se um pouco mais.

Ao levantar-se quase totalmente, ela arriscava olhar por cima daquele lindo piano. Ela queria encostar seus dedos delicados nas teclas do instrumento que fazia soar tão perfeita melodia.

Ao colocar seus olhos arregalados, com os cílios ainda molhados, um pouco acima da traseira do instrumento, ela assustou-se ao ver o que havia ali. Arregalou mais seus olhos, pois não acreditava no que estava vendo. Contemplou, observou, sem palavras ficou paralisada, imóvel. A melodia subia-lhe à cabeça e a deixava mais encantada.

“Sim! Um pianista!” ela repetia sem acreditar. Sem perder o encanto, o piano tornou-se a segunda melhor atração para a menina, a primeira era o pianista. Aliás, sem o pianista, não tem melodia no piano. Ela se levantara totalmente. A brisa suave brincava com os cabelos da garota, e com seu vestido branco, agora, já isento de qualquer mancha. O pianista se levantou e foi ao encontro da menina. Doce menina... Já crescera!

O pianista se aproximou da garota, e com seus dedos, os mesmos responsáveis pelas belas melodias, limpou o rosto molhado da garota. “Meu Deus! Não acredito!” eu dizia ao ver a cena sem acreditar no que estava acontecendo. Naquela rua, a rua da menina, entrara um pianista. Nunca, nenhum individuo entrara ou andara naquela rua... Apenas a menina, que parecia ser dona dela. A rua de sua vida... E agora, enfim, entrara um pianista... Um pianista! “Isso!” eu torcia por ela. Pela segunda vez naquela rua, a menina sorriu. Alguns raios de sol alcançaram os dois, e juntamente com a brisa, vieram as flores. O cheiro do ambiente mudara. Não tinha mais aquele cheiro úmido de lodo, mas estava perfumado... Um perfume sem igual.

O pianista vestia-se com calça social e camisa de um rosa claríssimo por debaixo do blazer. Como era elegante! Em um simples gesto, ele entregara uma rosa vermelha à garota. Era perfeito! Como a garota estava feliz! Eu sorria com ela, sorria por vê-la feliz... Eles corriam em volta do piano, sorriam sempre... Ele pagava em sua mão, e a rodava como se ela fosse uma princesa... Como estavam felizes! Eu também estava feliz em vê-los assim.... Em meio a tantas risadas, um barulho ecoou ao longe. Os dois se assustaram. A melodia parou. “O que houve?” a menina perguntou. “Eu não sei...” disse o pianista preocupado. O que estava acontecendo? Não haveria mais sorrisos? Não haveria mais brincadeiras? O pianista segurou bem forte a mão da menina, parecendo saber o que estava acontecendo. “Não! Não pode ser!” eu disse sem acreditar. Isso não podia estar acontecendo...      

 
      

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A menina misteriosa - Parte I


Vi o semblante de uma garota decepcionada, magoada, ferida... “O que houve?” perguntei a garota. Não houve resposta. “Conte-me o que houve!” supliquei. O silencio prevaleceu. Alguns milésimos de segundo após minha dolorosa pergunta, a menina pôs-se a chorar. Como eu gostaria de ajudá-la! Ela caminhava em uma rua estreita, triste, sem a perspectiva de um sorriso. Cabisbaixa, ela limpava suas lágrimas parecendo ter raiva de si mesma por chorar, talvez por não ter sido forte o bastante pra permanecer firme como sempre fora. Eu conhecia bem aquela garota. Com o celular na mão ela se desmanchava em lagrimas. Pensava no quanto fora firme, objetiva e perseverante em seus interesses, mas agora tudo parecia ter acabado.
                                                                            
“Ajude-me, Senhor” ela sussurrava bem baixinho. Era uma garota sonhadora, cheia de qualidades e defeitos, como todas as outras da sua idade, mas tinha algo diferente nela. Sim! Eu conhecia aquela garota! Conhecia todos os seus sonhos, mas eles estavam todos no chão, por algo mais forte ela mudou todos os seus planos, todos os seus sonhos... Por um único motivo. Uma garota que nunca se entregara a nenhuma paixão, sempre permanecera com os pés no chão... Claro! Eu conhecia aquela garota! Mas de onde? De onde ela surgira? Por que ela me era familiar? Em meio a lagrimas, ela deu um ultimo soluço, um ultimo suspiro e abriu um belo sorriso. Como seu rosto era resplandecente! Era garota de traços fortes... De uma beleza incomum, não aquela beleza que se vê em todos os lugares, não era uma beleza exuberante, mas era uma beleza diferente. Seu sorriso iluminou toda a rua, e seus sonhos flutuaram novamente a sua volta. Ela finalmente resolvera se levantar e começar uma nova vida. Ela resplandecia esperança e a alegria de poder viver.

A tal garota pura, não dizia nenhuma palavra se quer, só aquela impressão de que me era conhecida. Ela caminhou pela longa rua estreita, sorrindo, cantarolando e rodopiando. Seu vestido branco, todo rodadinho, lembrava-me de minha infância. Ela realmente me lembrava algo! Seus cabelos dourados tinham alguns cachos nas pontas, e era todo enfeitado com pequenas flores rosadas. Ela estava tão feliz, que nem me parecia mais aquela garotinha indefesa, machucada, triste...

 A rua era longa, bem longa, havia muitos obstáculos por ele. Era uma rua bem iluminada pelo sol radiante, mas em meio a tantas flores havia muitos obstáculos. Aquela menina, tão inocente e tão cheia de conhecimento ao mesmo tempo, não tropeçara em nenhum se quer dos obstáculos. Eram grandes, e às vezes imperceptíveis, mas ela não caira em nenhum daqueles obstáculos.

Mas algo me chamara à atenção, aquela menina, tão doce menina, caira. Seu primeiro tombo. A rua escureceu num só instante. As flores de seus cabelos caíram. Uma sensação de tristeza rondou aquela rua estreita. Uma lagrima já apontava no canto de seus olhos. Olhei bem, pra ver em qual obstáculo ela caíra. O que? Não pode ser! Fiquei assustada ao ver o obstáculo... Agora eu entendia... A menina... Ela viera de... Dentro de mim! Ela tropeçara num piano...

sábado, 13 de agosto de 2011

Cansei de sonhar...

   Ainda me recuperando de uma recente visita à tão odiada cidade de São Paulo, sonho com o dia de minha mudança pra esse lugar. O que me dizem de São Paulo? "São Paulo é uma cidade ótima... Pra passear de vez em nunca", ou "Você não sabe o que está dizendo, menina. Quando enfim morar aqui, vai sentir na pele do que estou falando...". Eu realmente estou farta de ser chamada de "menina"; pelo qual o verdadeiro sentido da mesma é "criança". Eu sei exatamente o que quero, como qualquer garota sem noção de 15 anos, mas eu sei que nao sei de nem um décimo do que penso que sei. Sei que preciso pedir sabedoria a Deus a cada dia da minha vida, para que Ele me oriente até mesmo para edificar meus planos, pois a minha tendencia na posição de Jovem, é apenas fazer besteiras e achar que "estou com tudo". Apesar de eu achar isso ridículo, eu nao penso que sei de tudo, tenho consciencia de que tenho mais a aprender do que ja aprendi em 15 anos de vida. Mesmo assim, tenho planos, e são desses planos que construirei meu futuro. É importante! Mas acho que minha mãe acha essa ideia de morar em São Paulo extremamente louca, por outras garotas da minha idade queimarem meu filme de adolscente "sabe tudo". Não concordam? Ou nao entenderam? Já repararam nessa nova geração de jovens? Já viram o quanto essas garotas de 15, 16 anos são desajuizadas a ponto de entregarem sua vida a qualquer paixaozinha tola? Ou nao repararam que é muito raro encontrar garotas dessa idade que fixam seus pensamentos em seus planos e sonhos e deixam o resto de lado? Só querem saber de aproveitar a vida, como meninas tolas e infantis, que nao sabem que esse aproveitamento as deixam mais tolas e incapacitadas a lutarem para alcançarem o que querem. Acho que me confundem com esse tipo de garota idiota. Talvez eu fosse, se nao tivesse um Deus todo poderoso ao meu lado, me dando as coordenadas da estrada para o sucesso...