Ele apertava a mão da garota, pois sabia exatamente o que estava acontecendo. “Conte-me o que houve!” a menina gritou. O pianista olhou para a meiga menina como um olhar triste, decepcionante. O que estaria acontecendo? A menina se machucaria outra vez?
“Não está acontecendo nada, minha menina. Nada...” ele disse abraçando-a forte, demonstrando claramente que algo estava acontecendo. “Por favor! Conte-me o que está acontecendo...” ela sussurrou. Ele nada respondeu.
O barulho ecoou outra vez, mais forte e mais intenso. “Não se preocupe menina, não vou te soltar...”. A garota, com medo, não se atrevia a soltá-lo. O ambiente ainda era o mesmo, porém, as nuvens se movimentavam rapidamente pelo céu e uma ventania se aproximava. “Não...” o pianista falou baixinho “outra vez não...”. Um vento forte começou naquela pequena rua. Um tornado já estava a caminho, desejava destruir aquele piano. O vento trazia algumas gotas de água, sinalizando a forte tempestade que viria. “Não me deixe te soltar!” o pianista disse forte. “Sei que não vai, eu confio em você...” Como a garota estava segura! Pela primeira vez, estava confiante, ela tinha a certeza de que ele não a soltaria.
O vento ficava cada vez mais forte, e agora trazia também algumas folhas e galhos encontrados pela rua. Algumas flores vieram juntamente com a ventania, galhos e folhas, mas flores desconhecidas pela menina, flores que não eram de sua rua. Ela ficava cada vez mais assustada, fazendo-a segurar mais forte no pianista. Ela colocou toda sua confiança nele e nele ela encontrava a certeza de que tudo passaria. Ele acariciou seus cabelos para acalmá-la e fechou os olhos não querendo acreditar no que estava acontecendo, ou melhor, no que aconteceria.
Ao longe se avistava um tornado, que viria não muito devagar, encontrar-se com a menina e o pianista. “Não!” eu gritava. “Fujam! Rápido!” eu dizia bem alto, mas eles não podiam me ouvir. O piano desaparecera em meio à ventania, porém, os dois estavam imóveis, no mesmo lugar.
Aquele tornado que se aproximava, estava vindo de outra rua, alguma rua desconhecida pela menina; nem tanto pelo pianista. Já bem perto, o tornado parou. O impossível aconteceu. De dentro daquele tornado, saiu algo. A menina e o pianista tentaram ver o que era. Eu também me esforçava, mas não tinha idéia do que era aquilo. O pianista abaixou a cabeça. “Não me deixe te soltar!” ele disse mais uma vez. Ela nada disse, apenas viu algo de cor vermelha se aproximando.
Depois de muito tempo e esforço, consegui ver o que era, ou melhor, quem era. A menina assustou-se, mas o pianista parecia já esperar o acontecido. Uma garota se aproximava em meio ao tornado. Seu vestido era de um vermelho bem forte, combinando com as unhas enormes. Cabelos castanhos, não muito grandes, e sapatos bem altos. Ela andava desfilando e parecia ser uma “mulher” de poder. Era uma garota bonita, porém, parecia ser mais velha que a garota da rua. Ela parou a uns cinco metros de distancia da menina e do pianista. Ficou imóvel. A ventania parou e o silencio prevaleceu. A garota do tornado encarou os dois e logo depois sorriu, mostrando seus dentes perfeitos. Ela pegou algo dentro do bolso. Continuou a sorrir e colocando sua mão aberta em frente sua boca, soprou um pó cinzento. Uma fumaça rodeou a menina e o pianista, deixando-os quase sem ar. “Não me deixe soltá-la” o pianista repetiu. Quando a fumaça passou, permitindo a respiração da menina, a garota do tornado já estava junto a eles e com uma das mãos na cintura. Continuava a exibir seu belo sorriso que tinha como objetivo encantar o pianista. Ele não se encantou, pois conhecia bem aquela garota do tornado.
Ele a conhecera em outra rua e já era encantado por ela. Ele só não esperava que ela o encontrasse outra vez. Após passar por muitas ruas, a garota do tornado fora em busca do pianista e com um só gesto, o arrancou dos braços da menina. “Não me solte!” o pianista gritou para a menina. A menina não tinha forças para segurá-lo, tampouco ele tinha forças para ficar longe da garota do tornado. Sem forças, os dois foram dominados pela tal garota do tornado que realmente tinha poder sobre aquele pianista.
A menina, só novamente, via aquela garota e o pianista desaparecerem em meio ao tornado. Mais uma vez, ela estava só. As lágrimas tentavam cair mais uma vez pelo canto de seus olhos, porém, ela recusou-se a chorar. Seria forte. Não sabia o que aconteceria dali pra frente. Do pianista desaparecido, só as lembranças restaram. Então voltou a caminhar pela rua, mais uma vez... sozinha...
Poxa... a história não pode acabar assim!!! Sem final feliz!!!
ResponderExcluirConfesso que esse tipo de final me agrada porque demonstra a coragem do escritor de fugir do lugar-comum. Parabéns, mineirinha! Parabéns!