O cabelo louro já estava limpo. A roupa já estava ajeitada. A garota fazia as ultimas mudanças em si mesma enquanto caminhava rapidamente. Estava atrasada. Parou, ainda com pressa, em frente a um carro. Ali, no reflexo do vidro, ela teve a ultima chance de corrigir alguma falha na maquiagem ou no vestuário. Ajeitou os óculos de sol, respirou e continuou a caminhar ligeira. O céu estava azulíssimo, tão belo... O sol nem estava tão quente como de costume. Tudo daria certo.
Lá estava ele. Parado. A garota desacelerou os passos para não chegar até lá ofegante. Respirou fundo mais uma vez e tentou andar de maneira mais elegante. Ele estava exatamente como o vira da última vez. O carro vermelho continuava maravilhoso, inigualável, inconfudível... Lá estava ele. Agora, ela se encontrava a apenas alguns passos do carro. Jogou os ombros para trás, levantou o queixo... Chegara.
- Desculpe-me o atraso - disse entrando no carro.
Que elegância! Que classe! O rapaz tinha bom gosto em tudo. Para se vestir, para escolher o que ouvir... Teve bom gosto ao comprar o carro. Era a classe em pessoa, principalmente para conquistar uma mulher.
- Dizem que quando se tem dezoito anos e é loira, a garota pode atrasar o quanto quiser. - o rapaz disse sem tirar os olhos do painel do carro.
A garota o olhava fixamente. Não sabia o que dizer defronte a tanta elegancia. O rapaz, ainda fixado no mesmo ponto, pegou com delicadeza um "sonho de valsa" e o entregou a garota. Esse foi o momento certo de direcionar os olhos marcantes aos olhos dela. Aquele não era o primeiro carro ao qual ela entrara com o mesmo objetivo. Muitos carros passaram por seu caminho e em diversos lugares. No entanto, raros carros eram verdadeiramente desejados pela garota. Aquele era um deles.
Acomodou-se no banco tentanto ser tão elegante quanto ele.
- Gosta de Amy Winehouse? - ele perguntou.
- Não.
- Gosta de que?
- Gosto de... - tentou pensar rápido na resposta mais viável - música clássica!
- Gosta de Coldplay?
- Não muito.
- Tudo bem.
Ele mudou a música. Colocou a tal música clássica. Não deu tempo de ouvi-la. Chegaram ao destino.
O maravilhoso carro parou em frente ao prédio tão admirado pela garota quanto o carro. Era bom gosto demais em uma pessoa só.
- Esqueci de comprar refrigerante!
- Refrigerante?
- Sim.
- Não precisa. Não tomo refrigerante. - falou com medo de ser vista como fresca.
- Não? Nenhum?
- Não.
- Tudo bem. Qual filme veremos?
- Você pode escolher.Tem algum que você ainda não tenha visto?
- Não.
- Então você pode escolher.
- As aventuras de Pi?
- Demora muito.
- Até que a sorte nos separe?
- Deve ser ótimo!
O rapaz, educadamente, fez os ultimos ajustes no colchão da sala para que começassem a assistir ao filme. A garota estava sem jeito. Ela não entendia como podia se sentir assim. Normalmente, os rapazes ficavam sem jeito em sua companhia. Desta vez, ela ficara sem jeito. "Preciso relaxar..." pensou "e não deixar que transpareça a timidez que aparece apenas quando estou com ele".
Os dois se acomodaram no colchão, de maneira que ficaram não tão perto, nem tão longe um do outro. O filme começou. Os comentários também. No decorrer do filme, a garota não parava de falar consigo mesma em pensamentos. Não deveria estar ali. Ele a olhava. Ela o olhava. Os olhares diziam tudo e não faziam nada.
O tempo passou muito rápido. O filme terminou. A garota tinha compromisso. O rapaz não disse nada.
- Vou levá-la.
- Não precisa.
- Vamos. - ele disse pegando a chave.
Desceram calados e sem graça. Não tinham o que dizer, não tinham o que fazer. Tinham apenas o que pensar. Entraram no carro. Fizeram os últimos comentários. A garota não conseguia concentrar no que o rapaz dizia. Disse besteiras mais uma vez. Chegaram. Despediram-se com um aceno. A garota agradeceu lançando-lhe um olhar decepcionado. O carro vermelho despediu-se também mais uma vez. Aquele carro, inigualável, incomparável, inconfundível... Aquele carro que, provavelmente, ela nunca mais veria.
Barbie - Mineirinha
terça-feira, 18 de junho de 2013
domingo, 28 de outubro de 2012
EXTREMAMENTE DESENCANTADA
Às vezes fico pensando em como seriam as histórias se fossem escritas ou contadas contendo apenas momentos felizes. Talvez não tivessem graça, como todo mundo diz. Mas decidi comentar um pouco sobre um estilo de histórias que já vem sendo bem desvalorizado por todos de uma forma geral. Apesar de serem TOTALMENTE surreais, COMPLETAMENTE falsos, os contos de fada me atraem de uma forma realmente assustadora.
Quando pequena, eu não costumava prestar atenção nessas historinhas infantis. Nunca tive nada contra, mas nunca me chamaram àtenção. Nunca me esqueço do Jardim I. O fiz quando tinha quatro anos (eu realmente me lembro), e naquele tempo, contos de fada não tinha valor algum pra mim. Minha professora se chamava Neide e eu a achava linda! Mas o fato importante não tem muito a ver com isso. Certo dia, ela chegou à sala de aula com algumas folhas na mão. Éramos uns trinta alunos ou mais, e estávamos todos assentados em roda em torno da sala. A "tia Neide", como a chamávamos, disse que faríamos uma peça de teatro para apresentar na reunião de pais que seriam a alguns dias dali. "Qual peça?" logo perguntaram. "Branca de Neve" a "tia" logo respondeu. Não demorou muito para que todas as meninas começassem a suplicar: "Tia, deixa eu ser a Branca de Neve?". Ouvia-se um coral feminino clamando sem parar.
- Escolhi a princesa antes de chegar à escola... - ela tentou acalmar as garotas.
- Fui eu, tia? - continuaram a ladainha.
- Sentem-se, meninas.
Pouco depois, sentaram-se. Todas ficaram atentas (isso era raro) e os meninos nem se importavam com o que estava acontecendo. Logo, a nomeação começou: "Rafaela será a madrasta". Rafaela era minha melhor amiga, gostaria de reencontrá-la hoje. Depois de nomear todos os anões, Neide soltou enfim o nome da princesa, frase que jamais serei capaz de esquecer:
- Amanda, você foi escolhida para ser a princesa.
Isso tem mais importancia pra mim hoje do que quando fui uma "princesa". Só um pequeno detalhe a evidenciar. Toda princesa tem que ter um príncipe (de acordo com os contos de fada). Eu também tive. Mas a "tia" levou um tempo para escolhê-lo. Assim que soube que seria uma princesa, passei a reparar em todos os meninos da turma. Tentava deduzir quem a tia escolheria para ser meu príncipe, se bem que eu nem ligava muito pra isso. Pensei que pudesse ser o Daniel, meu melhor amigo. Ou talvez pudesse ser o Thalis, o menino mais paparicado pelas meninas da sala. Ou o Vítor, um loirinho que ficava sempre bem quietinho durante as aulas. É claro que eu nunca deixava entrar na lista das possibilidades, aqueles baixinhos da turma como o Fernando e o Netinho...
Depois de tanto pensar, a "tia" resolveu revelar o nome do príncipe. Ele não era da minha sala. Era do terceiro período. Fui conhecê-lo só no terceiro ensaio. Fiquei algum tempo tentando deduzir o porquê de a tia o ter escolhido. Não tinha beleza alguma, inclusive era bem gordinho e parecia um indio. Ainda bem que o beijo foi na mão (nada contra gordinhos ou outros esteriótipos). Pra dizer a verdade, eu nem me importava, eu estava feliz por ser a princesa, o príncipe nao me importava.
Entretanto, as princesas crescem... Deixam de ter quatro anos.
Aos treze anos, essa mesma princesa conheceu um príncipe de olhos verdes chamado André. Foi o príncipe que melhor representou o papel, fisicamente. Mas a princesa se intimidou e deixou que o príncipe fosse embora conhecer princesas de outros reinos.
Completando quatorze anos, a princesa conheceu um valente guerreiro chamado Calebe. O problemas era que ele era valente apenas em alguns momentos e ele não conseguia desejar uma princesa só - príncipe só no nome.
Ao completar quinze anos, a princesa conheceu um pianista real, de um reino bem distante que chamou muito sua atenção. Mas na história do pianista, estava escrito que seu coração pertencia a outra princesa de um reino bem mais encantado.
Ela estava farta de conhecer tantos príncipes que não era capaz de lhe fazer rainha. Como as outras princesas, esta tambem tinha muitas propostas de reinados. Muitos príncipes alegavam de que suas histórias possuíam o nome da princesa escrito e que um trono a esperava. A princesa não se importou. Sabia que seu trono estava reservado em algum lugar, distante ou não dela.
Completou dezesseis anos e conheceu outro príncipe. O único merecedor de ser chamado "ENCANTADO". Quando a princesa o viu, pôde realmente usar o termo "princesa encantada", pois foi dessa maneira que ficou quando o viu, ou melhor, o reencontrou. Esse era aquele mesmo príncipe do primeiro período... Era um daqueles que nunca entraria em sua lista de possibilidades para ser o príncipe da peça de teatro. O príncipe também se encantou pela princesa e parecia que a histórias dos dois poderia ser finalmente escrita. O príncipe dizia coisas belas à princesa através de mensageiros reais. Ele era bastante tímido, o que deixava a princesa cada vez mais encantada. Até que um dia, o príncipe ofereceu o trono à princesa e ela aceitou sem nem pensar (claro que não, ninguem pensa em contos de fada). Mas com o tempo, o mensageiro sumiu. Era necessario que o príncipe passasse a entregar suas próprias cartas, ou dizer palavras com a própria boca. O príncipe não foi capaz, esqueceu-se rapidamente da princesa. Quando a primeira lágrima rolou no mundo mágico da princesa, ela percebeu que aquele príncipe não era encantado e que ela não era uma princesa. Aquilo não era um conto de fada. Aquilo era realidade, isso É real.
Não existem príncipes, não existem princesas. Não existem contos de fada, eu sei disso. Mas eu gosto deles. Gosto de sonhar com castelos, com vestidos longos, com bailes... Mas príncipes, não. Esses não existem nem em contos de fada pra mim. Pelo menos não mais.
Quando pequena, eu não costumava prestar atenção nessas historinhas infantis. Nunca tive nada contra, mas nunca me chamaram àtenção. Nunca me esqueço do Jardim I. O fiz quando tinha quatro anos (eu realmente me lembro), e naquele tempo, contos de fada não tinha valor algum pra mim. Minha professora se chamava Neide e eu a achava linda! Mas o fato importante não tem muito a ver com isso. Certo dia, ela chegou à sala de aula com algumas folhas na mão. Éramos uns trinta alunos ou mais, e estávamos todos assentados em roda em torno da sala. A "tia Neide", como a chamávamos, disse que faríamos uma peça de teatro para apresentar na reunião de pais que seriam a alguns dias dali. "Qual peça?" logo perguntaram. "Branca de Neve" a "tia" logo respondeu. Não demorou muito para que todas as meninas começassem a suplicar: "Tia, deixa eu ser a Branca de Neve?". Ouvia-se um coral feminino clamando sem parar.
- Escolhi a princesa antes de chegar à escola... - ela tentou acalmar as garotas.
- Fui eu, tia? - continuaram a ladainha.
- Sentem-se, meninas.
Pouco depois, sentaram-se. Todas ficaram atentas (isso era raro) e os meninos nem se importavam com o que estava acontecendo. Logo, a nomeação começou: "Rafaela será a madrasta". Rafaela era minha melhor amiga, gostaria de reencontrá-la hoje. Depois de nomear todos os anões, Neide soltou enfim o nome da princesa, frase que jamais serei capaz de esquecer:
- Amanda, você foi escolhida para ser a princesa.
Isso tem mais importancia pra mim hoje do que quando fui uma "princesa". Só um pequeno detalhe a evidenciar. Toda princesa tem que ter um príncipe (de acordo com os contos de fada). Eu também tive. Mas a "tia" levou um tempo para escolhê-lo. Assim que soube que seria uma princesa, passei a reparar em todos os meninos da turma. Tentava deduzir quem a tia escolheria para ser meu príncipe, se bem que eu nem ligava muito pra isso. Pensei que pudesse ser o Daniel, meu melhor amigo. Ou talvez pudesse ser o Thalis, o menino mais paparicado pelas meninas da sala. Ou o Vítor, um loirinho que ficava sempre bem quietinho durante as aulas. É claro que eu nunca deixava entrar na lista das possibilidades, aqueles baixinhos da turma como o Fernando e o Netinho...
Depois de tanto pensar, a "tia" resolveu revelar o nome do príncipe. Ele não era da minha sala. Era do terceiro período. Fui conhecê-lo só no terceiro ensaio. Fiquei algum tempo tentando deduzir o porquê de a tia o ter escolhido. Não tinha beleza alguma, inclusive era bem gordinho e parecia um indio. Ainda bem que o beijo foi na mão (nada contra gordinhos ou outros esteriótipos). Pra dizer a verdade, eu nem me importava, eu estava feliz por ser a princesa, o príncipe nao me importava.
Entretanto, as princesas crescem... Deixam de ter quatro anos.
Aos treze anos, essa mesma princesa conheceu um príncipe de olhos verdes chamado André. Foi o príncipe que melhor representou o papel, fisicamente. Mas a princesa se intimidou e deixou que o príncipe fosse embora conhecer princesas de outros reinos.
Completando quatorze anos, a princesa conheceu um valente guerreiro chamado Calebe. O problemas era que ele era valente apenas em alguns momentos e ele não conseguia desejar uma princesa só - príncipe só no nome.
Ao completar quinze anos, a princesa conheceu um pianista real, de um reino bem distante que chamou muito sua atenção. Mas na história do pianista, estava escrito que seu coração pertencia a outra princesa de um reino bem mais encantado.
Ela estava farta de conhecer tantos príncipes que não era capaz de lhe fazer rainha. Como as outras princesas, esta tambem tinha muitas propostas de reinados. Muitos príncipes alegavam de que suas histórias possuíam o nome da princesa escrito e que um trono a esperava. A princesa não se importou. Sabia que seu trono estava reservado em algum lugar, distante ou não dela.
Completou dezesseis anos e conheceu outro príncipe. O único merecedor de ser chamado "ENCANTADO". Quando a princesa o viu, pôde realmente usar o termo "princesa encantada", pois foi dessa maneira que ficou quando o viu, ou melhor, o reencontrou. Esse era aquele mesmo príncipe do primeiro período... Era um daqueles que nunca entraria em sua lista de possibilidades para ser o príncipe da peça de teatro. O príncipe também se encantou pela princesa e parecia que a histórias dos dois poderia ser finalmente escrita. O príncipe dizia coisas belas à princesa através de mensageiros reais. Ele era bastante tímido, o que deixava a princesa cada vez mais encantada. Até que um dia, o príncipe ofereceu o trono à princesa e ela aceitou sem nem pensar (claro que não, ninguem pensa em contos de fada). Mas com o tempo, o mensageiro sumiu. Era necessario que o príncipe passasse a entregar suas próprias cartas, ou dizer palavras com a própria boca. O príncipe não foi capaz, esqueceu-se rapidamente da princesa. Quando a primeira lágrima rolou no mundo mágico da princesa, ela percebeu que aquele príncipe não era encantado e que ela não era uma princesa. Aquilo não era um conto de fada. Aquilo era realidade, isso É real.
Não existem príncipes, não existem princesas. Não existem contos de fada, eu sei disso. Mas eu gosto deles. Gosto de sonhar com castelos, com vestidos longos, com bailes... Mas príncipes, não. Esses não existem nem em contos de fada pra mim. Pelo menos não mais.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Nas rua do passado, via-se uma bela moça... parte II
A
respiração já estava difícil. O que Bianca poderia fazer agora? Arriscar-se ao
correr? Ficar quieta? Gritar? A pancada da difícil realidade afetou-a e a fez
colocar os pés no chão. Antes que pudesse pensar em algo, já sentia uma mão
tampando sua boca. Mão áspera, malcheirosa... Infinitos adjetivos poderiam ser
colocados nesse trecho ao descrever apenas a mão do sujeito, mas vamos
deixa-los para o restante da história.
Bianca
estremeceu ao sentir a presença de alguém tão próximo e tão ameaçador como
aquele – suspeitava ela que fosse um homem – que estava a impedir sua fala. Ela
podia sentir seu coração disparado, não por causa de Fernando, mas agora ela
tinha um real motivo para sentir seus batimentos cardíacos acelerados.
- Shhh! Quietinha, garota. Vamos com calma.
A
menina desesperou-se. Calma? Pedir calma naquela hora era meio contraditório.
Suspirou forte em sinal de susto. Quantas possibilidades existiam para Bianca,
logo Bianca entre tantas outras garotas da cidade, passarem por uma situação
daquela naquele momento. Logo ela... Nunca imaginaria passar por algo assim...
Ela
tentava falar, gritar de qualquer forma; em vão. O homem a pegou pelo braço,
bem devagar. Embora fosse/parecesse profissional, temia que alguém o ouvisse.
Talvez seu temor fizesse parte do “profissionalismo”. Sem qualquer ruído, um carro estacionou ao
lado dos dois. Bianca já estava completamente dominada pelo suposto bandido que
por essa razão, não teve muito esforço para arrastá-la até o carro. Este não
era preto, nem escuro. Todos desconfiariam de um carro preto atravessando uma
rua deserta por volta de onze da noite em ouro preto, mas ninguém desconfiaria
de um carro branco com “plaquinha de táxi” atravessando uma rua deserta àquela
hora da noite. Dificultaria mais ainda a fuga de Bianca. Escapar dessa não
seria fácil, se conseguisse.
Dentro
do carro ninguém dizia nada, nem os dois rapazes da frente, menos ainda o rapaz
de trás, que estava com Bianca. A menina esperava gritos, palavrões, cheiro de
cigarro e bebida... Esperava um certo vocabulário que uma garota como Bianca
não gostaria de ouvir. Não ouviu nada disso. Ouvia o barulho do motor do carro,
que era também silencioso. Nenhum movimento era feito no carro. Os homens não
usavam máscaras nem roupas estranhas. Ao invés disso, usavam ternos. Bianca não
entendia o que estava acontecendo. Seriam bandidos educados? Não, com certeza
não. Não existem bandidos educados... Não tinha como saber.
- O que estão fazendo? – arriscou-se vendo que estavam
aparentemente desarmados.
Não
fizeram questão nem de olha-la. Ignoraram-na completamente.
- Não vão me responder? Quem são vocês?– atrevia-se com medo
– Não acham que tenho o direito de saber?
Prevaleceu o silêncio.
- Que tipo de bandidos são vocês? Não vão gritar, reclamar,
falar palavrões ou nada parecido?
Superou-se
em suas ultimas perguntas. O homem ao seu lado a olhou seriamente, deixando
claro apenas com o olhar que Bianca deveria calar-se. Apesar do escuro da
noite, Bianca podia enxergar alguns traços do rosto de seu companheiro de
banco. Não tinha feição ameaçadora, ainda que pudesse ser.
O
motorista estava bem sério. Embora Bianca estivesse nervosa e com medo, ela
ficara um pouco mais calma ao ver a reação daqueles homens, que nem sequer
encostaram-lhe um dedo – exceto o que a colocou no carro.
- Para onde estamos indo? – fez sua ultima tentativa.
Jurou
calar-se, estava se arriscando demais. Olhava para todos os lados pensando no
que fazer. Seus olhos penetravam a paisagem da cidade, no entanto, seus
pensamentos estavam bem presos dentro das quatro portas. Ficou quieta para não
contrariar ninguém e, na primeira oportunidade que surgisse, fugiria de alguma
forma. Só não sabia como ainda.
O
carro parou, enfim. Nem Bianca acreditaria se não tivesse visto com seus
próprios olhos. O carro parou em frente a uma grande mansão, que mais parecia
um castelo que casa; não castelo mal assombrado como dizem, menos ainda de
contos de fada (antes fosse). Era mais normal, todavia grandioso. O rapaz ao
seu lado deu a volta e abriu a porta para que Bianca saísse, não eram
necessárias palavras para que ela entendesse o recado. Juntos, Bianca e os três
homens seguiram em direção à mansão.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Nas ruas do passado, via-se uma bela moça... (parte I)
Depois de mais um dia lutando por um sonho, Bianca orgulhava-se ao pensar nele. Caminhava, já tarde da noite, no centro da pequena cidade de Ouro Preto. Como sorria! A menina, percebendo não ter ninguém na rua, começou a dançar e a rodar, demonstrando às casas a sua volta a alegria que sentia.
Pode-se prever a razão de sua felicidade... Lembrava-se da primeira vez em que vira Fernando, por quem se apaixonara perdidamente. Suas paixões eram raras, apesar de beleza e graciosidade. Não sabia se deveria ou não sentir-se tão feliz em vê-lo, não sabia se deveria considerar tal fato. Não sabia o que fazer, apesar de não demonstrar isso. Satisfazia-se apenas em vê-lo.
Seu sorriso reluzia quase tanto quanto o ouro encontrado nas preciosas igrejas da cidadezinha tão amada pela menina. Não desejava nunca se mudar dali, pelas casas antigas e pelo ar do passado que ainda rondava as ruas de Ouro Preto. Apesar de tantas preciosidades encontradas lá, Ouro Preto tinha uma péssima fama em relação aos universitários que moravam ali. Poucos pais de garotas as deixavam morar só naquela cidade. Bianca não ligava, muito menos naquele momento de seu passeio por Ouro Preto por volta de onze da noite.
Parou de dançar por um instante e, no silencio da noite, lembrou-se de outra ocasião em que vira Fernando. Sorriu outra vez.Fechou os olhos e sonhou. Olhando desatenta pelas ruas em que passava, tinha alucinações de que Fernando sairia de alguma rua daquelas e viria ao seu encontro para desfrutar junto à Bianca daquele momento. Não foi a toa que se chamou “sonho”, “alucinações”. Apesar de sua maturidade capaz de chamar-lhe já mulher, sua primeira paixão a fez perder um pouco de juízo ao ponto de fazê-la começar por andar sozinha àquela hora da noite. Não andaria muito tempo, é claro. Sua casa ficava num ponto central da cidade. O fato era que, por sonhar tanto, o tempo parecia passar muito devagar. Da mesma forma que seus passos: lentos...
Já cruzava a rua em que levaria ao seu destino final, até que ouviu um barulho. Parou. Seus pensamentos foram interrompidos, pois algo poderia acontecer. Bianca ouvia alguns passos rápidos, conseguia detectar exatamente de onde vinha esses passos. Não sabia se continuava a andar, ou se esperava para ver quem era. Talvez fosse algum de seus amigos e vizinhos chegando de alguma festa. Ou talvez... talvez fosse Fernando! Sim! Ele poderia tê-la seguido e agora, já num lugar mais calmo, confessaria seus sonhos à Bianca como ela desejava fazer à ele. Um sorriso de canto brotou, mas a pancada da realidade a fez esconder-se depressa. A paixão não tirara todo o juízo da garota. Pelo menos isso.
Vira que fez bem em esconder-se. Sua casa ficava no fim da rua, que era estreita e com algumas brechas entre os sobrados. Os passos não estavam tão rápidos. Estavam confusos, mostravam-se ser passos de não só uma pessoa. Duas pessoas caminhavam intercaladamente, em silêncio, devagar. Um casal, talvez. À medida que os passos se aproximavam, Bianca absorvia mais a realidade do século XXI. Sim, começou a pensar não mais tão otimista. Fernando já não dominava sua mente. A preocupação sim. Como faria para chegar rapidamente à sua casa? Estava um pouco longe. Não poderia correr, os dois indivíduos perceberiam uma moça bela e jovem correndo no meio da rua. Sem duvidas, ficaria pior. O que fazer? Teve uma ideia. Ligaria para o pai. Também não daria certo, só agora percebera ter esquecido o celular em casa.
Os passos estavam tão próximos, que se parassem, a respiração aflita de Bianca seria ouvida. “Muito bem, Bianca! Ao invés de vir mais cedo e rápido para casa, tem que andar como uma lesma...” pensou. Tentou olhar pelo canto do muro. Teve medo do que poderia ver.
Teria de encarar o que sentiria segundos depois daqueles aflitos momentos. Os passos cessaram. Bianca teve a impressão de sentir algo bem perto de onde estava.
- Não!
O tempo lhe permitira dar só um grito. A bela moça estava em apuros.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Desabafo de férias
Como sempre, minha viagem à São Paulo foi as mil maravilhas. Mas, senti um pouco de mecanismo em minhas férias. O metrô já não era mais novidade, nem a multidão que entra nele todos os dias. O movimento já não me surpreende mais. A correria e o mau-humor das pessoas que moram na capital já se tornaram bem ocultos aos meus olhos. Embora eu não esteja mais tão encantada ou apaixonada por São Paulo, ainda sonho em morar lá. Creio que não falta muito, preciso apenas de algumas conclusões.
De certo que o mecanismo de São Paulo me deixou um pouco desanimada pelo fato de não estar tão empolgada mais com a cidade, porém, algo mudou alguns conceitos meus desta vez. As minhas férias foram maravilhosas e chorei menos na hora da partida. De volta a Minas, sinto-me um pouco frustrada por ter deixado São Paulo e algumas coisas que ainda me prendem à cidade. Algo mudou nas ultimas semanas em que estive lá e que contribuiu muito para minha frustração. Não devia estar assim. Minha irmã se casou, estou feliz por isso. Mas deveria estar mais, já que este foi um dos motivos da minha viagem. Porém, o casamento não foi como eu esperava. Na maioria dos aspectos, o casamento foi melhor do que eu imaginava, e agradeço a Deus por isso. Mas em certos aspectos, o acontecido me deixou desanimada, talvez porque não me trará apenas lembranças boas.
Jamais me esquecerei do Natal de 2011, e do Réveillon de 2011/2012. Foram datas maravilhosas que certamente marcaram muito. Datas que de certa forma me impediram de ver tanto brilho no casamento. Isso me irrita. Me irrita a minha incapacidade de não ter controle sobre algumas áreas da minha vida. Preciso mudar, melhorar. Preciso colocar meus pés no chão e acordar desses meus sonhos infantis que não me deixam olhar para frente, apenas regredir. Preciso prosseguir e lutar pelos meus imutáveis objetivos. O problema é que outro objetivo surgiu. Um objetivo que pode me ajudar a alcançar todos os outros, ou pode me levar ao fracasso total. O pior, é que eu nem sei por onde começar... Nem sei se o melhor é começar, ou deixar de lado, esperar passar... Talvez essa seja mais uma ilusão infantil, ou seja algo que me faça crescer.
A única coisa de que tenho certeza agora, é que mesmo com todas as complicações que tenho pensado, tenho tudo o que preciso, pois esse “tudo” é Deus. O resto será acrescentado... Espero de Deus agora apenas uma resposta às minhas orações.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
O Lugar
Eu vi um lugar diferente. Um lugar onde nenhuma outra pessoa já havia visto, a não ser os seres celestiais. Era um lugar inexplicável, todo iluminado por luzes vindo de algum lugar onde eu não era capaz de ver. O lugar era mais brilhante que todas as pedras preciosas existentes no mundo, era sem dúvidas um lugar especial. Anjos caminhavam de um lado para o outro, sorrindo, conversando, felizes sem preocupação alguma. O lugar que vi possuía grandes escadas que levavam a outras escadas, que levavam a mais escadas onde parecia dar a impressão de que o lugar era de espaço infinito.
Eu estava andando sobre o lugar como se fosse alguém invisível, e me aproximava a cada vez mais da fonte de luz do ambiente. Anjos voavam por todo o lugar. Parei por um instante e observei melhor a minha volta. Aquele lugar era feito de um material nunca descoberto. Uma sede diferente de tudo o que os humanos pudessem ver ou explicar. Olhei para os lados e ninguém parecia me ver, então olhei para meus pés e eu estava descalço com um vestido fluorescente parecido com o dos anjos e senti que nas minhas costas surgiam asas iluminadas pela grande fonte de luz. Um grande fio de ouro circulava em volta da minha cabeça e eu era pálida como a neve. Meu brilho refletia como o dos anjos, mas nossa luz vinha da imensa fonte. Éramos como a lua, não tínhamos luz própria.
Eu continuava a caminhar pelo grande lugar. Não havia nenhuma poeirinha no chão. Cheguei a outro grande salão, onde só havia chão e teto; ao invés de paredes, vi uma linda paisagem do lado de fora do lugar. Um lindo jardim! Onde eu estava? Que lugar era aquele? Era mais bonito que qualquer outro lugar do mundo, eu tinha a certeza de que ninguém, com exceção daqueles anjos, fora naquele lugar. Era mais bonito que Nova York com suas luzes e sons, melhor que Paris com sua bela torre Eiffel. Era bem melhor que a casa branca com suas luxúrias, melhor que o palácio na Inglaterra. Melhor que as sete maravilhas do mundo, e o mais impressionante é que consegui gostar daquele lugar mais do que São Paulo (aí já é outra história). Não me interessava lugar algum, eu não queria sair daquele lugar. Mas e meus pais? E meus amigos? E as pessoas que eu amava? Não poderiam desfrutar das maravilhas daquele lugar?
O jardim me impressionou muito. Tinha um mar de vidro ao longe, onde se podia caminhar em cima. Era imenso! Animais estavam por toda parte do jardim, nenhum bravo, todos calmos. Os anjos acariciavam alguns leões.
Parada, no meio daquele salão, ouvi um som, parecido com o soar de um sino. Soou sete vezes, e na sétima, os anjos, todos eles, entravam no terceiro salão. Era o salão de onde vinha a fonte de luz do lugar. Os anjos sorriam como sempre, mas parecia ter algo diferente no sorriso deles. Suas faces brilhavam de alegria, acharam a verdadeira felicidade! Será que era hora do lanche? Ou de alguma atividade especial? Fome não poderia ser, pois no jardim tinham frutas variadas em todas as infinitas árvores. Fui no embalo dos anjos, e juntamente com eles, caminhava em direção ao terceiro salão. Eu estava prestes a descobrir a coisa mais magnífica do mundo. A resposta para todas as perguntas e complicações do mundo...
domingo, 18 de setembro de 2011
A menina misteriosa - Parte III (final)
Ele apertava a mão da garota, pois sabia exatamente o que estava acontecendo. “Conte-me o que houve!” a menina gritou. O pianista olhou para a meiga menina como um olhar triste, decepcionante. O que estaria acontecendo? A menina se machucaria outra vez?
“Não está acontecendo nada, minha menina. Nada...” ele disse abraçando-a forte, demonstrando claramente que algo estava acontecendo. “Por favor! Conte-me o que está acontecendo...” ela sussurrou. Ele nada respondeu.
O barulho ecoou outra vez, mais forte e mais intenso. “Não se preocupe menina, não vou te soltar...”. A garota, com medo, não se atrevia a soltá-lo. O ambiente ainda era o mesmo, porém, as nuvens se movimentavam rapidamente pelo céu e uma ventania se aproximava. “Não...” o pianista falou baixinho “outra vez não...”. Um vento forte começou naquela pequena rua. Um tornado já estava a caminho, desejava destruir aquele piano. O vento trazia algumas gotas de água, sinalizando a forte tempestade que viria. “Não me deixe te soltar!” o pianista disse forte. “Sei que não vai, eu confio em você...” Como a garota estava segura! Pela primeira vez, estava confiante, ela tinha a certeza de que ele não a soltaria.
O vento ficava cada vez mais forte, e agora trazia também algumas folhas e galhos encontrados pela rua. Algumas flores vieram juntamente com a ventania, galhos e folhas, mas flores desconhecidas pela menina, flores que não eram de sua rua. Ela ficava cada vez mais assustada, fazendo-a segurar mais forte no pianista. Ela colocou toda sua confiança nele e nele ela encontrava a certeza de que tudo passaria. Ele acariciou seus cabelos para acalmá-la e fechou os olhos não querendo acreditar no que estava acontecendo, ou melhor, no que aconteceria.
Ao longe se avistava um tornado, que viria não muito devagar, encontrar-se com a menina e o pianista. “Não!” eu gritava. “Fujam! Rápido!” eu dizia bem alto, mas eles não podiam me ouvir. O piano desaparecera em meio à ventania, porém, os dois estavam imóveis, no mesmo lugar.
Aquele tornado que se aproximava, estava vindo de outra rua, alguma rua desconhecida pela menina; nem tanto pelo pianista. Já bem perto, o tornado parou. O impossível aconteceu. De dentro daquele tornado, saiu algo. A menina e o pianista tentaram ver o que era. Eu também me esforçava, mas não tinha idéia do que era aquilo. O pianista abaixou a cabeça. “Não me deixe te soltar!” ele disse mais uma vez. Ela nada disse, apenas viu algo de cor vermelha se aproximando.
Depois de muito tempo e esforço, consegui ver o que era, ou melhor, quem era. A menina assustou-se, mas o pianista parecia já esperar o acontecido. Uma garota se aproximava em meio ao tornado. Seu vestido era de um vermelho bem forte, combinando com as unhas enormes. Cabelos castanhos, não muito grandes, e sapatos bem altos. Ela andava desfilando e parecia ser uma “mulher” de poder. Era uma garota bonita, porém, parecia ser mais velha que a garota da rua. Ela parou a uns cinco metros de distancia da menina e do pianista. Ficou imóvel. A ventania parou e o silencio prevaleceu. A garota do tornado encarou os dois e logo depois sorriu, mostrando seus dentes perfeitos. Ela pegou algo dentro do bolso. Continuou a sorrir e colocando sua mão aberta em frente sua boca, soprou um pó cinzento. Uma fumaça rodeou a menina e o pianista, deixando-os quase sem ar. “Não me deixe soltá-la” o pianista repetiu. Quando a fumaça passou, permitindo a respiração da menina, a garota do tornado já estava junto a eles e com uma das mãos na cintura. Continuava a exibir seu belo sorriso que tinha como objetivo encantar o pianista. Ele não se encantou, pois conhecia bem aquela garota do tornado.
Ele a conhecera em outra rua e já era encantado por ela. Ele só não esperava que ela o encontrasse outra vez. Após passar por muitas ruas, a garota do tornado fora em busca do pianista e com um só gesto, o arrancou dos braços da menina. “Não me solte!” o pianista gritou para a menina. A menina não tinha forças para segurá-lo, tampouco ele tinha forças para ficar longe da garota do tornado. Sem forças, os dois foram dominados pela tal garota do tornado que realmente tinha poder sobre aquele pianista.
A menina, só novamente, via aquela garota e o pianista desaparecerem em meio ao tornado. Mais uma vez, ela estava só. As lágrimas tentavam cair mais uma vez pelo canto de seus olhos, porém, ela recusou-se a chorar. Seria forte. Não sabia o que aconteceria dali pra frente. Do pianista desaparecido, só as lembranças restaram. Então voltou a caminhar pela rua, mais uma vez... sozinha...
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