Depois de mais um dia lutando por um sonho, Bianca orgulhava-se ao pensar nele. Caminhava, já tarde da noite, no centro da pequena cidade de Ouro Preto. Como sorria! A menina, percebendo não ter ninguém na rua, começou a dançar e a rodar, demonstrando às casas a sua volta a alegria que sentia.
Pode-se prever a razão de sua felicidade... Lembrava-se da primeira vez em que vira Fernando, por quem se apaixonara perdidamente. Suas paixões eram raras, apesar de beleza e graciosidade. Não sabia se deveria ou não sentir-se tão feliz em vê-lo, não sabia se deveria considerar tal fato. Não sabia o que fazer, apesar de não demonstrar isso. Satisfazia-se apenas em vê-lo.
Seu sorriso reluzia quase tanto quanto o ouro encontrado nas preciosas igrejas da cidadezinha tão amada pela menina. Não desejava nunca se mudar dali, pelas casas antigas e pelo ar do passado que ainda rondava as ruas de Ouro Preto. Apesar de tantas preciosidades encontradas lá, Ouro Preto tinha uma péssima fama em relação aos universitários que moravam ali. Poucos pais de garotas as deixavam morar só naquela cidade. Bianca não ligava, muito menos naquele momento de seu passeio por Ouro Preto por volta de onze da noite.
Parou de dançar por um instante e, no silencio da noite, lembrou-se de outra ocasião em que vira Fernando. Sorriu outra vez.Fechou os olhos e sonhou. Olhando desatenta pelas ruas em que passava, tinha alucinações de que Fernando sairia de alguma rua daquelas e viria ao seu encontro para desfrutar junto à Bianca daquele momento. Não foi a toa que se chamou “sonho”, “alucinações”. Apesar de sua maturidade capaz de chamar-lhe já mulher, sua primeira paixão a fez perder um pouco de juízo ao ponto de fazê-la começar por andar sozinha àquela hora da noite. Não andaria muito tempo, é claro. Sua casa ficava num ponto central da cidade. O fato era que, por sonhar tanto, o tempo parecia passar muito devagar. Da mesma forma que seus passos: lentos...
Já cruzava a rua em que levaria ao seu destino final, até que ouviu um barulho. Parou. Seus pensamentos foram interrompidos, pois algo poderia acontecer. Bianca ouvia alguns passos rápidos, conseguia detectar exatamente de onde vinha esses passos. Não sabia se continuava a andar, ou se esperava para ver quem era. Talvez fosse algum de seus amigos e vizinhos chegando de alguma festa. Ou talvez... talvez fosse Fernando! Sim! Ele poderia tê-la seguido e agora, já num lugar mais calmo, confessaria seus sonhos à Bianca como ela desejava fazer à ele. Um sorriso de canto brotou, mas a pancada da realidade a fez esconder-se depressa. A paixão não tirara todo o juízo da garota. Pelo menos isso.
Vira que fez bem em esconder-se. Sua casa ficava no fim da rua, que era estreita e com algumas brechas entre os sobrados. Os passos não estavam tão rápidos. Estavam confusos, mostravam-se ser passos de não só uma pessoa. Duas pessoas caminhavam intercaladamente, em silêncio, devagar. Um casal, talvez. À medida que os passos se aproximavam, Bianca absorvia mais a realidade do século XXI. Sim, começou a pensar não mais tão otimista. Fernando já não dominava sua mente. A preocupação sim. Como faria para chegar rapidamente à sua casa? Estava um pouco longe. Não poderia correr, os dois indivíduos perceberiam uma moça bela e jovem correndo no meio da rua. Sem duvidas, ficaria pior. O que fazer? Teve uma ideia. Ligaria para o pai. Também não daria certo, só agora percebera ter esquecido o celular em casa.
Os passos estavam tão próximos, que se parassem, a respiração aflita de Bianca seria ouvida. “Muito bem, Bianca! Ao invés de vir mais cedo e rápido para casa, tem que andar como uma lesma...” pensou. Tentou olhar pelo canto do muro. Teve medo do que poderia ver.
Teria de encarar o que sentiria segundos depois daqueles aflitos momentos. Os passos cessaram. Bianca teve a impressão de sentir algo bem perto de onde estava.
- Não!
O tempo lhe permitira dar só um grito. A bela moça estava em apuros.
parabens amanda, vc nao e uma menina tentando ser escritora, mais sim uma escritora de mao cheia que sabe como interligar cada palavra a outra para q de sentido e a cada frase lida eu ficava mais concentrado por causa do suspense que causou ali.
ResponderExcluirparabens, vc arrazou nesta historia.
em breve devo ler as outras que com certeza devem ta tao boas quanto essa. bjos...